Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

20 de nov de 2014

Miojo Forever II



Separados estamos, por um triz.
Atados para sempre, como se diz.
Atentos à detalhes,
elucubrando, sem juiz,
a luz de um abajur.
Cometas e réus, algozes, enfim,
fumando hollywood sem parar.
Buzinas soam, soam todos os alarmes
dos veículos da garagem do subsolo.
O elevador em manutenção...
Em manutenção todos nós.
Sós, por enquanto.
Nivelando, arquitetando.
Lendo alguém, comendo algo,
Transpirando ácido e incenso de patchouli.

Poucos beijos,
nenhum queijo na geladeira.
Um repolho...
A manteiga derreteu, o pão acabou.
Fui eu que não quis.
Fui eu!
Há miojo.
Há tempo.
Há demais, menos paixão.
Foi-se o tempo,
Deu-se o tempo
que enterramos.
Há miojo e um carro na garagem,
uma conta de luz.
O elevador, em manutenção,
o síndico, sereno,
as janelas, repletas,
os fósseis,
nossas consequências
e nós por todos os lados.

Adonis k