Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

3 de jul de 2012

Cai o Pano







Cai o Pano

Sem penas e sem pedras, 
semi-nú, 
sem grandes ou pequenos, 
nem leve, nem pesado, 
levemente urbano, 
metropolitano, 
sem face, sem máscara, 
estando em qualquer passado 
e no cotidiano,
Cai o pano!


Adonis K.

Sem Saber.







Venho a ti por um encanto,

prá recuperar um pranto

que estou certo

relutei em derramar.

Por acaso, por vertentes

tão sumidas, tão vazias,

por segundos teu semblante

é o que ameniza,

dissecado,

este teu ser.

Sangue rubro na bacia

de alumínio a escorrer...

Escorrendo as horas mortas,

penetrantes,

parte orgânica, perene,

deste amar desesperado

que de pleno, elevado,

é outro ter

conforme sendo,

translúcido,

por nós dois cristalizado.







Adonis k.

Impropérios de um Sábado chuvoso



















Impropérios de Sábado à Noite.

A ladainha dos mesmos,
todos os  dias.
A ladainha e os prantos
dos que
de barriga cheia
choram.
No entanto,
os desencantos bombásticos,
os desencontros diários
as atrizes milionárias da tv,
o "eterno retorno",
o casamento do mês,
nada dizem:
são gestos lúdicos,
panfletários.
Toda capa de revista
traz
um modelo.
Modelo
sei lá
de quê.
De bonitez, talvez.
De emagrecetez. De modez. De nudez.
Há controvérsias...
E os mortais
sobrevivendo aos traumas
da cumplicidade com um mundo
de confetes
e stress.
Há um mundo derretido, derretendo-se.
O mundo que a gente vai comendo,
um bocado por vez.
O que habita o coração do homo-urbanus.
Além da fumaça do trem,
a fumaça é  X-Salada,
X-Burguer,
X-Nada.

Adonis K.

Abantesma


Abantesma

Me fito no espelho
que a parede sustenta.
Me vergo ao peso
dos tempos
que meus ossos
retém.
Me calo diante da turba
que agride o vocábulo,
impropérios
no exato momento
do tédio
que abarca a razão.
Comedido, fito
o reflexo
de meu rosto insano
na água cristalina. Um expurgo!
Guerras de mim mesmo
celebro constrito.
Rodopios, saltos e evoluções
cósmicas,
reticências intrínsecas. Omissões.
Canto o canto da loucura perdida
no desapego das formas sonâmbulas,
laico sopro de versos.
Abalo o sentido da vida
pelas noites,
subterfúgio íntimo,
evasivo recuo.
Estudo experiências vazias,
ao por do sol,
entrelaçando-me ao acaso,
ao imprevisto, a esmo.
Fictício, respiro sómente,
em partes,
o alimentado,
o pesado fardo
do fantasma que criei.


Adonis K.