Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

24 de jun de 2012

Forças




Entre as negras virtudes,
as mais belas,
resplandecentes quimeras
de eu mesmo,
sóbrio.
E no espaço do teu corpo,
singela,
divago meus mortos compassos,
pois soube que eras tudo,
menos hera.
Por tanto apaixonei-me,
tanto tolo, em teu colo,
ledo amor,
adormecido e lento.
Nem as chuvas de junho,
portentosas, admiráveis,
nem os solos de violino,
os pianos em compasso,
teus ombros, largos...
eu sóbrio e o abraço,
nem nada que proclamasse
o vinho.
Algo houve neste instante,
inconcebível,
algo terrível,
único e sublime,
um sopro
para a vida inteira,
um amor
além do mundo.
Vão, um grito seco,
de assombro,
além do mundo,
entre saxofones.
Nos vimos por dentro,
pirilampos, morcegos,
entre os espelhos de  ambos
embaçados, admiráveis, taciturnos.
Éramos sementes de um hino,
singelos campos,
crianças, pequenos,
divinos.


Adonis K.

À Ilharga



Observo
de um degrau menor
a Volúpia do homem de Si,
Do que vive em si e para si,
do que nada vê além. Do estranho.
Levanto-me para vê-la passar,
são tantos seus pajéns...passeata infinda!
Entre a lápide, laje tumular do amor,
o insensato coração de pedra,
glória da ingratidão pelo outro.
Prosseguem, categóricos, sujeito e atributo.
Permaneço imóvel, sombrio.
Os céus proclamam chuvas,
meus modos antigos, desusos.
Visto-me sem o capuz da impessoalidade.
Desnudo-me sem a insurgência do coletivo.
Estou livre! Ando ausente, posto que mudo.
Porém,
nas vísceras do moribundo ser
altruísta,
abominando egoísmos,
amarras,
à ilharga da luz de bons tempos,
um raio com cheiro de vida,
de sólido lastro,
preciso,
conciso,
resiste.


Adonis K.