Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

10 de ago de 2012

O Vaso




O furto das almas nem foi assim
tão bom
quanto o furto do chocolate
de avelã,
houve furtos de amores,
licores,
de amoras, de flores,
tudo muito calmamente e hoje.

O furto das claras de ovos,
das couves, dos rostos,
das lágrimas de ontem,
dos risos sobre as pontes,
das fontes.

Sem doações, levaram.
Encheram cabaças e potes,
maletas, baús, carretas.
Alguém pulava de alegria,
zombava e ria.
Tudo muito calmamente e hoje.

Misturei-me a procissão
de ciganos,
todos tão coloridos,
dizendo a mim mesmo "bom-dia!"...
já que eu mesmo levava,
sentindo nenhum perigo,
sem ter onde por sentido,
um vaso com dois gemidos.

Adonis K.

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