Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

10 de ago de 2012

Combate





Partindo para as muralhas
rachadas,
empoeiradas
de uma cidade em tragédia,
cruzaram-se seres díspares,
difusos,
oblíquos
corações em sangue,
lágrimas quentes, bombas.
Entre o espírito dos ausentes, uma guerra.
Entre uns, o solidário abraço,
a fome grassando, peste.
Entre outros, a gema do ovo,
vitória esburacada de um corvo.
Vidas partidas em muralhas
rachadas. Vidas de uma cidade
decadente e confusa. Um trem militar,
aviões de reconhecimento,
rações, água.
Ninguém inteiro a vista.
Ninguém a prazo.
Vômitos de laços desfeitos,
cruéis sujeitos a mais nada.
Longas as noites, terríveis os dias
sem pássaros nos céus,
nem guias,
nem deuses,
nem vias.

Adonis K.

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