Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

3 de jul de 2012

Abantesma


Abantesma

Me fito no espelho
que a parede sustenta.
Me vergo ao peso
dos tempos
que meus ossos
retém.
Me calo diante da turba
que agride o vocábulo,
impropérios
no exato momento
do tédio
que abarca a razão.
Comedido, fito
o reflexo
de meu rosto insano
na água cristalina. Um expurgo!
Guerras de mim mesmo
celebro constrito.
Rodopios, saltos e evoluções
cósmicas,
reticências intrínsecas. Omissões.
Canto o canto da loucura perdida
no desapego das formas sonâmbulas,
laico sopro de versos.
Abalo o sentido da vida
pelas noites,
subterfúgio íntimo,
evasivo recuo.
Estudo experiências vazias,
ao por do sol,
entrelaçando-me ao acaso,
ao imprevisto, a esmo.
Fictício, respiro sómente,
em partes,
o alimentado,
o pesado fardo
do fantasma que criei.


Adonis K.

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