Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

15 de mar de 2012

Amanhã Sairei







Amanhã serei alguma incógnita
pichada nos muros
da Redenção. A Redençao tem muros?
Amanhã quem sabe eu não levante
a cabeça dos travesseiros.
A mansarda compreenderá meus afetos.
A mansarda pensa? Sente algo por mim?
Amanhã quem sabe eu não acenda o fogo.
Viva menos.
Saiba menos.
Leia menos.
Tudo é uma questão de sol ou chuva.
Dias cinzentos, corriqueiros.
Dias deploráveis, banais.
Água e sabão. Sabonetes.
Cotonetes, lâminas de barbear,
shampoos e condicionadores.
Condicionadores...
Amanhã talvez eu saia a rua
e me depare com meus medos. Eu sairei.
Encontrar repentinamente, ao dobrar a esquina,
encapotado e com o pescoço elegantemente curvo,
o inimigo. Eu sairei.
Antes de tudo, porém, os sapatos lustros.
O talão de cheques, a pasta e os documentos,
o telefone, os cigarros e o isqueiro, a gravata,
o dinheiro.
Antes de tudo um soluço amargo.
Depois, sairei.
Caminharei na postura habitual,
pigarreando:
Cumprimentando o jornaleiro, o padeiro, o jardineiro,
sairei.
Antes de tudo, porém, os sapatos lustros,
a piedadae insurreta,
o despeito,
o mascar nervoso de um chiclete.

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