Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

15 de nov de 2010

Pedra bruta a margem do caminho.


Poderíamos ter feito
daquela dança ao vento
uma história
sem precedentes.
A música e a aurora,
o balanço dos corpos,
nossa metátese.
Mas, não! O sim caído
moldou-se ao chão.
As notas descuidadas,
intranquilas,
frouxas,
os sopros arrebatados,
caiados,
os vincos da paixão...
seara restrita de arroubos ligeiros.

Adonis K.

Este nosso Abraço.


Podem vir os poderosos
guerreiros de Esparta,
os gladiadores de Roma,
Os Navajos e os Sioux,
a Cavalaria norte-americana...
nada irá alterar a mansidão dos campos
de Março, nem o abraço solene e plácido
que trocamos entre nós,
figurantes pequenos
deste Grande Teatro de apenas
dois palhaços.

Adonis K

Todos Iguais


Mas era apenas um simples aceno de adeus
nada mais do que um aceno
nem um grande e definitivo
adeus triste solitário e final
Páginas do tempo amarelado e frio
desbotaram
páginas marginais dos tempos esquecidos
puídos
das maquiagens sociais
totalmente profissionais
O inclemente espírito aleatoriamente inserido
o dilacerante
o circense
o psicopata
o cru
Nenhum de nós esconde o trivial
o banal
momento de angústia
o repelente estado emocional
o vício eterno
das virgens,
dos sacerdotes fabricados a bordunadas
de explêndidos mantos clericais e ordens divinas.
Nos alimentamos de pizza
de strogonoff
de salsichas
Nós amamentados atualmente matamos
Nós fomos acariciados e banhados por anjos
mas
Nós agredimos e temos língua ferina
nós somos o bicho
maldito
Nós promovemos a guerra perpétua
entre os seres iguais
Nós somos o Colosso
um caroço
Nós somos um perigo.

Adonis K

Porventura



Eu quisera um peito sem dureza,
um regaço de brandura,
mas de espírito obtuso
fiz minhas partes,
parte ocluso.
Tanto rocha, tanto aço,
quase toda a ferro eu passo
a vil semente,
já descrente do que faço.
Noutros tempos,
há quem saiba
que eu pudera,
de autêntico,
estender sobre alvo campo
meus risonhos, doces cantos.
(hoje lanhos, sangramentos...)
Mas que passa? São momentos?
Não, amigo, são lembranças
de mim mesmo
então tão vivo
que nem lembro.


Adonis k.