Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

1 de jun de 2010

Paixão



Por ti,
na pracinha do tempo,
tomando sorvete
derreti.

Adonis K.

Amantes noturnos


Há luz entre a neblina,
rósea luz,
um facho.
Nós dois estarrecidos,
dois beijos molha a chuva
debaixo do vermelho
semáforo!


Adonis K.

Escritos na Chuva



A poesia,
esta senhora que devora
corações,
que abandona ao léu,
aflitos,
tantos filhos,
entregues os menores
a morte dos sentidos...
Moça-velha que arrepia nossos cabelos,
que nos faz chorar de medo
de enxergar prá dentro,
Que abrevia o oculto.
Essa coisa que não sei ditar,
este quase desconforto,
este berço,
esta cama de pregos
que me cabe amar.

Adonis K.

Insônia.



Entrecortado por cobertas
macias,
na cama vazia
apavorado a cada instante,
não há travesseiro que dê jeito!

Adonis K.