Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

2 de out de 2010

Toda lembrança sem fundo musical



Ainda vejo o poente
em minha alma debruçada
na janela da casa ausente.
Eu era um ser pequeno,
um pirralho,
fragmento.

Grandes mistérios,
então,
cercavam-me a mente:
a vida das minhocas,
o pinto no ovo,
o arco-íris...
O que eram?

Nas tardes de chuva grossa
o aroma forte do café quente,
biscoitos de araruta,
portas cerradas,
velhas rezadeiras e brancas
velas acesas.
Os Santos vários,
os santos e a Nossa Senhora dos Aflitos.

Ainda me vejo debruçado
na janela
da casa
dos dias de meu pai
chegando.
O tinido arrepiante das esporas
soando
pelo longo corredor
eterno,
sempre às escuras.

Ainda me vejo,
nebulosamente,
mas há muito
que morri.
Perdi o senso.

Sou a sombra, agora,
o vulto.
Sou o que é distante.

Nem o sol, nem a lua,
nem o dia
ou a nascente,
nem a noite.
É o fantasma, agora.
O luto.
Deserto extenso
que sem pressa
estende um manto
por inteiro.



Adonis k.

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