Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

9 de out de 2010

Reminiscências Indecisas.



A pele macia e um som e um filme
antigo eu vejo na tv da sala da frente
da casa intranquila enquanto o gato de minha irmã
pega um sol na varanda ao lado de uma bicicleta
laranja que foi de meu avô.

O pneu está furado.

Duas plantas enormes ao lado do portão
da frente e mais uma menor no corredor.
Um tio cego de bengala sempre mau humorado
batendo na porta do banheiro
irritado e nervoso e eu assistindo
um comercial de shampoo.
A linda modelo sorri, eu a beijo,
ela está apaixonada e eu tenho um cavalo veloz.

Papai chega do trabalho.

-Boa noite, tudo bem? Fez suas lições? Foi bem na prova
de matemática? Que filme é esse? Não tem nada prá fazer
a não ser ficar na frente desta maldita televisão? Vai ler
um livro vai lamber sabão vai pro seu quarto vai comprar pão.

Vovó ronca alto.

Nem sei como foi que o tempo fechou, enferruscou-se de repente
e tudo ficou cinza e um vento forte arrancou as cortinas e bateu
todas as portas e janelas e trouxe muitas folhas secas até a sala
de visitas que minha mãe havia encerado e veio uma chuva como
nunca vi igual. Esquecemos o cachorrinho no quintal
e eu me arrependo até hoje de não ter ido lá fora buscar.
Eu não tive coragem. Ele morreu.


Adonis K.

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