Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

8 de out de 2010

Quando porventura respirou-se entre nós



Quando estive em certos lugares
de mim mesmo e de outros raros
em ocasiões distantes daqui e
de agora
era outro

Havia um ser e um candelabro.

Quando o justo imaginário
e as festas de aniversário
dividiam risos e apagavam
velas
todos nós éramos um fato

Havia seres e anjos anônimos.

Quando as rugas vieram
cobrindo adúlteras a alma
e o desespero da noite
de quem vai morrer
tomou forma

Havia flores e pássaros mudos.

Quando enfim tomamos rumo
e nossas vestes transparentes
refletiam o escuro
tateávamos um mundo de eras
com mãos invisíveis

Havia vida nos jarros de barro.
Éramos poucos e éramos tudo.


Adonis K

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