Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

2 de out de 2010

Ferrocarril



Ao lado de casa,
mi casa pequena
(Mi casa está en Paranaque)
corre o lindo trem que vem das colinas...
O vermelho e alguns azuis,
desbotados, abusados
apitando sempre,
meu coração ferrocarril de aço
de algemas.

Ao lado de casa ciscam galinhas
douradas,
listradas,
de pescoço pelado.
Poedeiras.
Vivem ao lado
do ferrocarril prateado.
Meu mudo coração de vargem,
sem margem,
rasgado.

Ao lado de mi casa
usted,
ferrocarril que assopra
meus varais de camisas e calças
e lençois manchados.
Meu ferrocarril de ouro e mi casa perdida,
meu coração amargo e surdo.
Quintal sem muro.
Um negro violão de cordas frouxas,
um negro amigo sob a lâmpada acesa
do absurdo.

Adonis K.

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