Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

2 de out de 2010

Abraço fraterno e voz à León Felipe Camino Galicia



Varrer as cinzas
do que ficou
da alma tênue
por quê?
Se tênue, que fique
livre
de varreduras
(que arranham o ventre
de gente de fato)

que não anda prá trás
que não anda prá trás

Cinzas que o vento leve.
Cinzas que flutuem.
Que cinzas jamais
coloridas
reacendam
coloridas
reacendam mágoas,
Nos limites da resistência,
à ilharga
de todos os abraços.

"Toda la luz de la tierra
la verá el hombre
por la ventana de una lágrima...”

E nos vamos de moto sorrindo enquanto o amigo nos envia um recado.
O amigo nos envia seu peito apertado.
O amigo nos quer bem
a seu lado, leio.
E leio:

“... mi éxodo es ya viejo.
En mis ropas duerme el polvo de todos los caminos
y el sudor de muchas agonías”.

E a estrada vem gorda de curvas,
pungente,
cheia de precipícios a arrepiar
beijando
o ronco dos motores poderosos.
Há um tronco e alguém sobre ele,
sentado, alguém fuma sobre ele,
inquieto.
Sobre ele um mundo:

“Te espero...
en algún sitio estoy esperándote...”

E já não espero que cinzas perenes,
descuidadas,
intranquilas,
mordazes,
satíricas,
sobreponham-se as nuvens
do quintal de todos nós,
ciganos sem ilusões.
Nós e os nossos varais metafísicos
no colorido tardio dos lençóis,
dos lençóis
dos
ciganos sem corneiras.

então me vem
de dia e de noite
também,
num bote,
León Felipe Camino:

“Tuya es la hacienda
la casa
el caballo
y la pistola.
Mía es la voz antigua de la tierra
y me dejas desnudo y errante por el mundo.
Más yo te dejo mudo... ¡Mudo!
¿Y cómo vas a recoger el trigo
y alimentar el fuego
si yo me llevo la canción?”

(remando)

E com a vassoura dependurada
num prego,
num prego qualquer,
enferrujado,
para nunca mais varrer,
ao lado de grandes bacias
d'água
despeço-me do
rio que me alimentou
os rins
na casa que este amigo
um dia disse:

“De rodillas. Escuchad.
La Justicia se defiende con una lanza rota y una visera de papel”?


Adonis k.

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