Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

6 de jul de 2010

Ser jamais Agora



O quanto me passaste naquele abraço,
eu soube.
Miríades transpassaram-me,
de estrelas mortas,
de planetas
penitentes dos que vagam por galáxias.
Ao soltar-te breve tontura arrefeceu-me a alma.
Um espírito já cambaleante,
tal qual o meu,
injusto,
de cor sanguínea transparente,
cobriu-me de plasma.
Mirei teu semblante ateu,
teus olhos profundos de traumas,
tua boca de carnes e luzes
e já não era eu
na penumbra
deste instante.
O quanto me passaste
eu sei agora
enquanto vago neste breu.
Foi uma troca de íons,
de mais de mil megawatts,
de um cesto de pedras
turmalinas.
Na lembrança obscurante
estão agora
as partes soltas
do mosaico,
nossas mãos truncadas,
nosso corpo aflito.
Apenas neste grito aos céus
romperemos ambos
as cadeias tortas de um umbigo ao meio.
E prosseguindo,
silenciosamente,
abateremos,
como se abate o condor,
a estrela-guia que nos força a marcha.
É o morrer para nascer de novo,
um acompanhamento doloroso,
fúnebre,
dilacerante,
intrínseco e picaresco.
São as justas medidas do partir
para poder chegar.
Do que vem, do que virá,
do que jamais esteve.
Do teu semblante neste abraço
resgatei o encanto,
difuso,
de te amar por dentro.
Eu fui uma baía no verão,
você uma brisa leve,
uma sereia,
um afago,
vil paixão.


Adonis k.

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