Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

7 de jul de 2010

Manhã de Sol em Julho



Da porta da cozinha avisto a figueira
triste e desabitada. Hoje nem os pássaros...
Latem cães. Há presença humana
no portão.
Poucas flores sobre a terra ressequida.
O sol inclemente ora por nós,
fogoso astro.
Na saleta escura, um sofá
agrega todas as dores do mundo.
A velha tv em seu canto mudo
aguarda um milagre
silenciosamente.
Em breve o discreto almoço,
o trivial econômico,
o mastigar embaraçoso,
a companhia insustentável.
Quando retorno e saio do estado
abstrato,
contemplativo invoco os deuses da razão,
buscando paz.
É inútil.
Permanece no ar a presença indesejável do tédio.

Adonis k

1 Comments:

Blogger O que Cintila em Mim said...

Vc estampa a dura realidade como ninguém.

5:02 PM  

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