Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

18 de mai de 2010

Vou caminhar agora.



"O Fio da Navalha" e "O Beijo no Asfalto",
o dia estampado na cara,
a noite rompendo megera tal qual
um tigre de Bengala,
um leopardo vidente que estraçalha
as vísceras e as córneas da mente.
Corruptores, uni-vos!
Adiante lama e sombrias construções.
Papai-Noel reclama, não há mais pipoca,
nem sacristãos
dependurados nas cordas
dos sinos.
O Papa abençoa,
o Diabo apregoa,
o Homem conversa diretamente com o Gerente Geral:
- Oásis e desertos das almas carentes. Laqueaduras, abortos, suspiros e empréstimos.
A alma de Stálin, a alma de Hitler, a alma de Buda.
A alma rasa e a alma funda...
a bunda.
Adentro ao bar e peço um trago maldito,
fumo um tabaco barato e mordido
por dois cães
assassinos,
me desequilibro.
Me espanto, sangrando.
Saio correndo sem pagar a conta.
Nenhum tira em meu encalço,
eu acho.
Alcanço um anjo, me desembaraço.
Estou salvo!
Fui salvo numa sexta-feira de barras,
numa sexta-prenúncio de um sábado
explosivo, caótico, terrível
que fotografei.
Vou revelar na segunda em algum laboratório
o triste filme deste pouco caso
que faço de mim.
Vou caminhar agora,
pra ver se não demora
a dor que estacionou ao meu lado do lado de fora.


Adonis K.

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