Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

18 de mai de 2010

Niestraz




Cortas hastes de bambu
como quem carpe,
como quem gripa,
mas não vês as bandeiras no caminho
nem os pêndulos secretos
do relógio da Matriz,
os emblemas e as mandalas alemãs
que choram por ti,
os galhos retorcidos, os medos.
Magia e ternura se mesclam num giro
de centenas de graus e além daqui
recuperam cristais e os holofotes
recaem sobre eles,
por nuvens.
Sobre elas,
somos todos iguais, animais.
Nem o torto endireita
nem o reto
desintegra a fonte,
os meandros,
a fome e a miséria.

Cortas hastes de bambu
e te desesperas,
pois luzes não há
neste vale,
nem velas.
Sem sono no escuro caminhas
por terras
distantes.
Tua carta moribunda chegou com atraso,
Por certo
teu grito gerou
teu desterro.
Um erro atávico
as feições grotescas oriundas do caos
que sentimos em nós
por teu coração pétreo com sede de rum.

Bon voyage
claudicante abstrato sem fim
nem começo por mim
condenado.
Retumbante piloto de naves
sombrias,
que teu deus te receba de braços abertos
e dê por finda a missão do colosso.
Eis a terra prometida,
Niestraz,
vazia.


Adonis K.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home