Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

18 de mai de 2010

Cadafalso



Decapitando os flagelos
e as angústias e todos os fórceps,
deitado agonizo no piso de tijolos.
Sinto a mão cálida do senhorio
me acordando do gelo sobreposto.
Uma sirene, uma ambulância,
um instante de despertar profundo.
O primeiro cigarro da manhã,
a fumaça da manhã contemporizando
com minha consciência abstrata.
Um réquiem para mim mesmo.
Um passatempo perigoso,
morrer e nascer de novo,
novamente sentir o peso do corpo.
Aplausos, delírios, gritos fogosos.
Sou eu e o povo,
a praça repleta, meu pescoço
preso a corda do inferno,
sorrindo despeço
os prazeres do mundo,
finalmente confesso!



Adonis K.

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