Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

20 de abr de 2009

Templos Ávidos



Catedral imensa e silenciosa dentro de mim
o átrio repousa como um enorme crocodilo.
Águas calmas e cristalinas...o regato frio.
A víbora desliza entre galhos e folhas mortas,
vai alimentar-se de pássaros.
Alguém me escuta e me chama e me diz: Cuidado!
Nem sei quem é este alguém
ou eu por perto.
Disseminei alguma semente muito antes da hora.
Brotou voraz uma planta atroz que me devora.
E mesmo correndo
porque há pressa,
não chego a tempo.
Quebraram-se os relógios em meio ao pranto.
As esmeraldas inatingíveis...meu quarto.
Choverá torrencialmente na noite do parto.
Serão águas do Norte,
enxurradas.


Adonis k.

6 de abr de 2009

Sementes do Mal

"Aos que furtam almas...

"Espalha-se pelo chão as sementes,
cada qual em seu respectivo sulco,
esperando o brotar.
Rega-se frequentemente a terra preparada,
adubada,
como a ceva dirigida à caça de sangue quente,
na escuridão da mata.
Olhos atentos vigiam
qual cobra faminta preparando o bote.
São os prescrutadores de almas,
que vem para as roubar.

Insanas consciências que habitam o mundo,
seres que repelem por si só
o humano existir,
são apêndices de antigas catástrofes,
fantasmas que agonizam em eterno clamar.
São os prescrutadores de almas,
que vem beber na calada da noite
fiapos da polpa da Vida.

Adonis K.