Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

18 de nov de 2009

Street Bar



Observei o absinto enquanto pensava fumando.
O bar estava as escuras e ventava lá fora,
sibilava, era um vento potente.
Os vidros embaçados e a noite fria me aquietaram.
Eu morria aos poucos porque vivia estranhamente.
Estávamos sós, eu e ele, o garçon.
Ele fumava tristonho,
eu fumava absorto.
Pedi mais luz,
mas estavam fechando e as cortinas foram cerradas.
Eram singelas cortinas cor de avelã,
toscas e rotas entre certas outras, vermelhas.
Também encerrei meu estágio.
Levantei-me sem pressa,
eu não havia estado lá completamente,
na verdade.
Foram alguns passos e abri a porta.
Enregelei-me de súbito, voltei-me.
Abri os olhos e fechei o agasalho,
comprimi contra o peito o enorme casaco
procurando proteger um coração
que nem batia.
Eu sabia que havia cachorros lá fora,
o perigo eminente da borrasca.
O relógio pintado na parede e um táxi comum.
Poucos sabiam que eu fora clarividente.
Do passado, apenas resquícios evidentes.
Folclores, mentiras, coisas sussurradas.
Meti-me noite adentro resoluto.
Ouvi um canto,
era eu e um cigarro,
nada mais!


Adonis K.

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