Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

7 de jun de 2009

Temendo Ter



Coração de vento e de metal,
palavras soltas,
doces risos gargalhadas ás vezes
presas,
ás vezes soltas
que vem
de você e eu ouço
tudo em sincronia.
Em sintonia
com a batida do piano,
com o reflexo do teu largo sorriso deslumbrante,
o sorriso que vem dos teus olhos de jaboticaba
e de teus cabelos de carvão,
de égua,
de enchente,
dos teus dentes de tubarão.

Você me mata mas eu sobrevivo
teso,
eu sou duro de roer.
Sou aquele que você quiz
querer
mas teme
ter,
um tigre ferido lambendo
a ferida,
um perigo.
Eu devoro os outros animais.

A noite
que você não quer ver,
posso ser eu,
o que você evita,
o frio insípido,
o crepúsculo,
o negrume,
o extremo da dor e do êxtase,
o abraço,
seu corruptor.

Eu sangro pouco e ouço e faço
muito de conta,
sobrevivo com palavra soltas
como pipas
em qualquer lugar,
mas agora me despi de todas
as armaduras.
Agora estou crú,
descalço,
incólume
emagreci
meus traços,
afrouxei os laços,
por te querer de fato
arrebentei.


Adonis k.

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