Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

10 de jun de 2009

O Corredor e a execução



Passos no escuro da alma
ressoam por pisos de jacarandá.
O intenso cheiro de cêra de Carnaúba
penetra pelas narinas.
Transpira o esquálido senhor.
Soa o meio-dia,
é chegada a hora.

O ventilador de teto,
o gato que mia,
o copo de limonada e os cubos de gelo
a tilintar.
A agonia de ver a hora.
O fim da espera.

Sons que não consegue ouvir,
mas que vem de portas de metal.
Sons irreais que brotam de dentro de si,
sons infernais.
Peremptóriamente confuso e preso sobre si
desaba o desconhecido colosso,
o obscuro.
Levanta-se então com os olhos vendados
percebendo as garras do infinito corredor.

Não sairá dali jamais,
sabe disso.
Nem para algum lugar.


Adonis K.

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