Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

7 de jun de 2009

Fuga Ingênua



Linda e áspera
criatura em botão,
feroz
menina
brotando mulher do chão.
Entre serras e cordões umbilicais,
cortes congênitos
a força abertos
pela têmpera
ora precisa
dos punhais.

Grite agora os nove fora que calou
no ventre seco que esta vida amarrotou.
Por quem veio e foi-se embora
honra e glória,
frio e parvo
no tropeço desta hora.
Cai o pano de um palco iluminado,
e o veneno
deste pão sacramentado que te dei
se espalhe e vingue
a morte
destes todos que provaram tudo aquilo
que provei.

Fumegante o tempo atroz
delate a todos
os que a fome
por tormento
consumiu.

Nada salve tua seiva nem beleza,
tudo encubra, nada instrua,
nem perdoe ou traga a mesa.
Nos limites saberás!

Venha o dia, venha o dia e cubra a noite.
Faça a força e desça breve tal um canto,
com teu manto glorifique tua alma
minha pequena,
nestas brumas que transformo
como trigo em poema.


Adonis K.

1 Comments:

Blogger O que Cintila em Mim said...

Como um cântico mostrando a brevidade das coisas singelas.

4:29 PM  

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