Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

7 de jun de 2009

Ei!



E aí, amigo
e aí? my brother...aquele abraço
e me liga não esquece de vir pro jantar
qualquer dia
desses.
Ei! ei!, me diga
qual foi o resultado do futebol.
Se tem visto o Nestor.
Se ainda bebe
cachaça.
Se aquele seu cachorro poodle branco ainda vive.
(O chato de galochas do poodle branco que você tanto amava
com seus latidos estridentes e seu bafo quente de ração de peixe)

Eu ainda moro na Comendador.
Terceiro andar, fundos,
de frente para o muro da parede
do prédio vizinho.
Casei,
separei,
quase me matei
mas ainda ando mais ou menos
prá frente e prá trás.
Vendi o carro,
assisto muita TV,
fumo,
quebro o pau com o povo e não me desespero.
Pensam que sou louco.
(Mas você sabe que eu não sou louco,
pelo menos não tanto quanto você é. Louco!)

Ligo um som e vou rodando,
pedalo uma bicicleta cor de laranja
já velha e enferrujada mas muito compenetrada.
Vou pela praça.
Uso um shorts colado na alma cor de vinho,
um gorro de palhaço e um óculos made in China.
Chinelo e meia.
Eu não pinto os bigodes porque acho ridículo.


Adonis K.

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