Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

7 de jun de 2009

Caçada



Quando anjos caídos atravessaramo imenso páteo deserto,

a pé,

sem o bater de asas,

sem o flutuar marmóreo,

pareceram-se por instantes comigo,

pobre aceno,

tiradas as vestes.

Eu usava cabelos encaracolados

e tinha tristes olhos azuis cerúleos.


Observei de imediato

através da transparência de suas vestes

uma nudez humana.

Senti o exalar de seus cheiros,

cheiro de alecrim,

e permaneci escondido por detrás dos escombros,

em completa sinestesia.

Julgado,

errôneamente culpado,

Perseguiam-me por algo

onde nem mesmo eu,

proscrito,

poderia buscar-me.

Não me sentia pronto.

No entanto

deveria partir.

Não eram meus planos.

Nos planoseu iria apenas como vim,

sem lutar não poderia.

Ficar seria como sempre,

Partir seria sómente

um andar sem fim.


Adonis K.

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