Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

17 de fev de 2009

Retorno

Encontrei-me vago folheando
páginas emboloradas do livro da vida
sem dizer nada e absorto e despertei
inesperadamente.
Fechei o livro e senti muito frio,
um frio de saudade e de espanto
por estar ali sózinho, em meio a sala.
Acendi a luz do abajour e liguei o ventilador
sem abrir as janelas e as portas permaneceram
fechadas. Eu estava trancafiado até então.
Uma camisa de força, uma algema, uma coleira.
Que triste figura, pensei.
Em chutar o balde, pensei.
Em chutar o pau da barraca.
Em diluir-me e concentrar-me em outra coisa.
Em alguma coisa abstrata que não fosse você.
Em algo absurdo.
Mas havia tanta água prá beber ainda,
tantas léguas, tantas curvas a percorrer nesta estrada...
Amanheceu e saí para tomar um café.
Chovia.
Uma chuva fina e fria e dolorosamente triste.
Mas pedalei a bicicleta e entrei em todas as poças d'água
do caminho
e pisei no barro e caí no chão molhado e rolei na grama.
Eu estava livre e desesperado.
Dilacerado.
Eu precisava matar a minha fome e respirar.
Estava sufocado e retornei andando pela alameda,
contando árvores e procurando ninhos de João de Barro.
Eu voltei prá mim num dia assim,
desse jeito,
repentinamente e não mais sumi.
Agora estou aqui.

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