Poemas Finitos

Diga ao povo que fico! Ou melhor, deixe que eu mesmo digo. Sem penas e sem pedras, semi-nú, sem grandes ou pequenos, nem de leve abstêmio, levemente suburbano, metropolitano, sem face, sem máscaras, estou em qualquer passado e nos cotidianos. Cai o pano!

17 de fev de 2009

Carta sua



A loba da banca de revistas
embrulhou dez balas de hortelã
e me alcançou o troco
e uma caixa de fósforos.
Acendi um cigarro e ajeitei o jornal por debaixo do braço.
Dei uma boa tragada,
olhei novamente para ela
que sorria estúpidamente
e parti.
Ia apressado.
Uma espécie de fobia.
Muitos guarda-chuvas e sombrinhas
e gente feia encapada com um vestuário plástico
esbarrando em mim, pisoteando copos descartáveis,
panfletos, flores murchas, cata-ventos e objetos em geral.
Estava tudo esparramado pelo chão.
Na escadaria da igreja um senhor troncudo tocava bandoneón.
Talvez fosse argentino, e cego.
Talvez fosse mudo.
Não me detive mas comprei um saco de pipocas.
Ao chegar
aguardei o carcomido e antiquado elevador.
Subi e preparei um chá de alecrim.
Tomei um banho quente.
Deitei-me na varanda e devorei
novamente a insônia
antes que ela implodisse comigo.
O telefone tocou várias vezes
mas não atendi.
Havia realmente uma dúvida que insistia
em permanecer distante e imprecisa sempre,
porém,
não houve
desespero desta vez.
Houve talvez uma vontade tardia,
um grito surdo,
um vulto,
um cheiro de pastel,
uma fatia de bolo de chocolate e uma carta sua por debaixo da porta.

Adonis k.

1 Comments:

Blogger O que Cintila em Mim said...

recebeu minha carta?


Agora que sei de seu blog vou vir sempre.

4:08 PM  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home